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Mercado imobiliário aposta em retomada gradual em 2026 após ano de juros elevados

Medidas de crédito e ajustes regulatórios devem impulsionar vendas

Foto: Carlos Bassan – Depois de um 2025 marcado por taxas de juros elevadas e restrição ao crédito, o mercado imobiliário brasileiro projeta um cenário mais favorável em 2026. A expectativa do setor é de recuperação gradual, sustentada por medidas anunciadas pelo governo federal e pela perspectiva de redução progressiva do custo dos financiamentos imobiliários ao longo do próximo ano.

Mesmo diante do ambiente ainda desafiador, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) estima crescimento de 10% nas vendas de imóveis em 2026. Segundo a entidade, a demanda segue consistente, o que mantém o mercado ativo, apesar das dificuldades enfrentadas por parte dos compradores para acessar o crédito.

Os números de 2025 refletem esse aperto. Entre janeiro e novembro, os financiamentos imobiliários somaram R$140,1 bilhões, queda de 17,1% em relação ao mesmo período de 2024. A expectativa da Cbic é que as novas regras em discussão permitam a injeção de cerca de R$37 bilhões adicionais no crédito habitacional ao longo de 2026, ajudando a reverter esse movimento.

A recuperação, no entanto, não deve ocorrer de forma homogênea. Enquanto o programa Minha Casa, Minha Vida segue em ritmo acelerado e pode alcançar a marca de 600 mil unidades vendidas, o crédito voltado à classe média continua pressionado. O segmento de médio e alto padrão foi o mais impactado pelos juros elevados, com retração superior a 20% nos financiamentos realizados com recursos da poupança (SBPE) em 2025.

Estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) aponta que, nos últimos cinco anos, o encarecimento do crédito excluiu cerca de 800 mil famílias do financiamento de imóveis na faixa de R$500 mil. Para reverter esse quadro, o governo anunciou a liberação de 5% do compulsório da poupança, o que deve acrescentar aproximadamente R$35 bilhões ao SBPE em 2026.

O presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho.

Outro fator considerado decisivo é a atualização do teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que passou de R$1,5 milhão para R$2,25 milhões após sete anos sem correção. A mudança amplia o uso do FGTS para entrada, amortização ou quitação de financiamentos e tende a beneficiar principalmente o mercado de médio e alto padrão, mais dependente do crédito.

Para Francisco de Oliveira Lima Filho, presidente da Habicamp, o conjunto de medidas cria bases mais sólidas para a retomada. “A ampliação do crédito e a atualização dos limites do SFH são fundamentais para devolver capacidade de compra à classe média e destravar um segmento estratégico do mercado imobiliário”, afirma.

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