economia

Reforma tributária redesenha custos da construção e pressiona margens do setor

Estudo aponta efeitos distintos sobre insumos, mão de obra e varejo de materiais nos próximos anos

Um relatório elaborado pela consultoria BSSP, indica que a reforma tributária deve provocar mudanças relevantes na estrutura de custos das empresas da construção civil. De acordo com o estudo, os impactos variam conforme o perfil das companhias, podendo ir desde uma redução média de 4% nos custos de insumos industriais até aumentos de até 20% no custo final das obras, sobretudo entre empresas com menor integração produtiva ou alta dependência de contratação direta de mão de obra.

O levantamento também destaca a adoção do modelo de tributação “por fora”, no qual os tributos deixam de estar embutidos nos preços e passam a ser discriminados separadamente. A medida tende a ampliar a transparência e a eficiência do sistema, mas, por outro lado, expõe de forma mais clara o peso da carga tributária ao consumidor final, o que pode influenciar decisões de compra e negociação.

Na indústria de materiais básicos, como aço, cimento e cerâmica, o cenário projetado é de leve deflação tributária. O relatório aponta uma redução média de 4% nesses segmentos, impulsionada pela possibilidade de geração e compensação de créditos tributários ao longo da cadeia produtiva.

Em contrapartida, a mão de obra aparece como um dos principais focos de pressão.

O presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho.

A estimativa é de aumento entre 18% e 20% nos custos até 2029, com o encerramento do Regime Especial de Tributação (RET). Equipamentos e EPIs devem ter alta próxima de 2%, influenciada pelo novo Imposto Seletivo, enquanto no varejo de materiais os efeitos são heterogêneos, com cerâmicas podendo ficar até 25% mais baratas e itens como plásticos e eletrônicos registrando aumentos expressivos.

Para Francisco de Oliveira Lima Filho, presidente da Habicamp, o estudo reforça a necessidade de planejamento. “A reforma traz oportunidades de eficiência, mas exige adaptação das empresas para lidar com uma nova lógica de custos e maior exposição tributária ao mercado”, avalia.

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