Mercado imobiliário ganha tração e pode viver novo boom em 2026
Mesmo sob juros elevados, setor mostra força, atrai compradores e investidores
Foto: Divulgação – O mercado imobiliário brasileiro atravessa um período de forte aquecimento e já há projeções de um novo ciclo de expansão mais intenso a partir de 2026. Mesmo diante da maior taxa básica de juros em duas décadas, o setor tem mostrado resiliência e capacidade de crescimento. Analistas avaliam que, com o início esperado dos cortes na Selic ainda neste ano, o ambiente tende a se tornar ainda mais favorável para novos lançamentos e vendas.
A expectativa de redução dos juros pelo Copom, somada ao expressivo ingresso de capital estrangeiro no mercado financeiro brasileiro, reforça o otimismo entre investidores e incorporadoras. Grandes players do setor já trabalham com a perspectiva de um salto mais robusto nas vendas e na valorização dos imóveis em 2026. O sentimento predominante é de retomada consistente, sustentada por fundamentos econômicos e demográficos.
Apesar do cenário positivo, especialistas apontam riscos que podem limitar o avanço do setor. Entre os fatores de atenção está a possível mudança na jornada de trabalho no modelo 6×1, que pode impactar renda e consumo. Ainda assim, o desempenho recente indica um mercado sólido, com forte tração nas principais capitais.
Na cidade de São Paulo, considerada o principal termômetro do país, os números confirmam essa aceleração. Dados da Brain Inteligência Estratégica mostram que o volume de unidades vendidas no acumulado de 12 meses saltou de 138,8 mil no segundo trimestre para 151,7 mil imóveis ao fim do terceiro trimestre de 2025. No cenário nacional, a intenção de compra atingiu 50%, o maior patamar já registrado, o equivalente a um em cada dois brasileiros declarando interesse em adquirir um imóvel no curto ou médio prazo.

A mudança demográfica ajuda a explicar o movimento. A Geração Z, formada por jovens entre 21 e 28 anos, lidera a intenção de compra, com índice de 56%. O desempenho do mercado financeiro também contribui para o dinamismo: com o Ibovespa em níveis históricos, muitos investidores têm realizado lucros na bolsa para migrar recursos para o mercado imobiliário. A compra de imóveis para investimento respondeu por 26% das aquisições no quarto trimestre de 2025, acima dos 20% registrados no mesmo período do ano anterior.
Os preços acompanham o ritmo. No último trimestre de 2025, o metro quadrado em São Paulo avançou 2,1%. Diante de uma inflação estimada em 1,2% no período, medida pelo IPCA, o ganho real ficou próximo de 0,9% em apenas três meses, desempenho que começa a competir com aplicações de renda fixa em trajetória de queda.
Para o presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho, o momento é de consolidação: “O mercado imobiliário demonstra força estrutural e reúne fundamentos para um novo ciclo de expansão sustentável nos próximos anos”.
