Caixa pode atingir R$ 1 trilhão em crédito imobiliário, mas juros seguem elevados
Banco aposta em mudanças no financiamento para ampliar acesso
foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil – A Caixa Econômica Federal deve alcançar, ainda em 2026, a marca histórica de R$1 trilhão em sua carteira de crédito imobiliário, impulsionada por ajustes recentes nas regras de financiamento com recursos da poupança. Apesar da expansão, a instituição avalia que não há, no curto prazo, espaço para redução significativa das taxas de juros, diante do custo elevado do dinheiro e das incertezas econômicas globais.
Mesmo com a flexibilização das regras do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), o impacto direto sobre os juros tende a ser limitado. As mudanças, no entanto, facilitaram o acesso ao crédito, permitindo o financiamento de até 80% do valor do imóvel e ampliando o teto para imóveis de até R$2,25 milhões, o que beneficia especialmente a classe média.
Outra medida relevante foi a liberação de mais de R$30 bilhões da poupança para o financiamento habitacional, recursos que antes ficavam retidos no Banco Central. O novo modelo também ampliou a capacidade de utilização desses valores pelas instituições financeiras, aumentando a disponibilidade de crédito e estimulando o setor imobiliário.

Pelas novas regras, os bancos passam a ter maior flexibilidade no uso dos recursos captados, desde que a maior parte das operações siga as diretrizes do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que estabelece limites de valor e juros para os financiamentos. A estratégia busca equilibrar o uso da poupança, que vem perdendo atratividade, com outras fontes de captação, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI).
A expectativa da Caixa é manter, em 2026, um volume robusto de concessões, próximo a R$250 bilhões, com cerca de R$90 bilhões provenientes da poupança.
Para o presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho, o cenário exige atenção, mas também aponta oportunidades: “A ampliação do crédito imobiliário é fundamental para sustentar o crescimento do setor, mas a manutenção de juros elevados ainda representa um desafio importante para ampliar o acesso à moradia no país.”
