construção civilImóveismercado

Déficit de moradias no país já chega a 7,7 milhões

O Brasil tem um déficit habitacional de 7.757 milhões de moradias, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O dado é de 2015, o mais recente, e tem como base a Pesquisa Nacional Por Amostragem de Domicílio (Pnad), do IBGE. Esse problema, histórico no país, volta a ganhar notoriedade após o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no centro da cidade de São Paulo. O prédio de 24 andares, ocupado por cerca de 400 pessoas, pegou fogo e desabou na madrugada de terça-feira, 1º de maio.

A maior parte do déficit habitacional brasileiro é provocado por famílias com um grande comprometimento de renda com o pagamento e aluguel (3,27 milhões) e pela coabitação – famílias dividindo o mesmo teto (3,22 milhões). As chamadas habitações precárias são 942,6 mil e o restante (317,8 mil) pertence ao chamado adensamento excessivo, ou muita gente morando no mesmo lugar.

Desde 2009, o déficit aumentou 5,9%, ou 430 mil moradias. Esse crescimento é puxado pelo ônus com o aluguel, que subiu 68%. Os demais componentes tiveram queda no período.

Como é de se esperar, o Estado de São Paulo tem o maio déficit absoluto, de 1,61 milhão de moradias. O Maranhão é aquele com o maior déficit relativo – falta moradia para 23,1% das famílias. No corte por regiões, o Sul lidera o aumento do déficit habitacional entre 2009 e 2015: 18%. Em seguida vem Sudeste, com 12%, e Centro-Oeste, com 8,1%. Norte (-2) e Nordeste (-2,6%) registraram queda.

Ainda segundo o estudo, a falta de habitação atinge mais as famílias de baixa renda – 91% estão no estrato até três salários mínimos. São famílias pouco atendidas pelo setor imobiliário e mesmo programas habitacionais, afirma a economista Ana Maria Castelo, que estuda o tema a mais de uma década.

“O déficit deve ter crescido no país em 2015 e 2016 por causa do ônus excessivo com aluguel, já que as famílias tiveram a renda afetada pela crise. Em 2017, a situação talvez tenha se estabilizado, mas não temos dados disponíveis”, disse a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV.

Segundo Ana, o ônus excessivo com aluguel é, por definição, um problema urbano. Está ligado ao encarecimento das habitações nos grandes centros. “O número de habitações contratadas e construídas até hoje pelo programa Minha Casa, Minha Vida atingiu pouco esse grupo nas regiões urbanas”. Em regiões metropolitanas como São Paulo e Belo Horizonte, a construção desse tipo de habitação não cabe no valor do terreno, diz.

Para ela, a redução do déficit habitacional passa por uma maior interlocução entre as três esferas do governo e crédito. Para ela, isso não está acontecendo. A economista sugere ainda maior participação do setor privado, por meio de PPPs.

“Para resolver o déficit urbano é necessária uma política habitacional que olhe a questão envolvendo as três esferas. A política não pode ser apenas federal e de produção de habitações. É preciso, por exemplo, passar também a questão do uso da terra, que é municipal, no âmbito do Plano Diretor. O programa Minha Casa, Minha Vida, sozinho, não vai resolver o problema”, disse a especialista. (Valor Econômico).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Precisa de ajuda?
hacklink satın al casibom meritking marsbahis meritking giriş marsbahis giriş casibom giriş kingroyal casibom giriş casibom jojobet bets10 extrabet bahiscasino süperbetin holiganbet kingroyal giriş