Parque imobiliário: por que é tão importante?

Prof. Carlos Alexandre Silva

Segundo dados do Programa da Organização das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), o Brasil é o país mais urbanizado da América Latina. Dentro desse contexto, de acordo com o especialista em Eco Urbanismo e Vice-Presidente de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Habicamp, Prof. Carlos Alexandre Fanton  Silva, os parques imobiliários possuem um papel importante nas cidades, já que eles influenciam nas mudanças climáticas, assunto pautado pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Temos uma concentração de 86,53% da população em áreas urbanas. Esse desenvolvimento nem sempre foi planejado. Então, nós temos uma situação bastante caótica na forma de ocupação do território nas cidades, principalmente, nos centros em razão, também, do advento do automóvel, que foi uma revolução cultural e do sistema de transporte público, que é uma demanda necessária para atender o direito de ir e vir da população previsto pela Constituição”, explica.

Campinas

Segundo Carlos Alexandre, Campinas hoje é signatária do Programa Cidades Sustentáveis: são 12 eixos temáticos estabelecidos para as cidades até 2050. “Então, Campinas já possui diretrizes para adoção de um planejamento global, para implementação de ações locais que transversalizem os 12 eixos, como: saúde, mobilidade, menos tráfego, consumo responsável, opções para estilo de vida, economia local dinâmica ativa e sustentável, educação para sustentabilidade, cultura para a sustentabilidade, planejamento em desenho urbano, gestão local para a sustentabilidade, equidade, justiça social, cultura e paz, bens naturais comuns e a governança, que é o mais importante”, diz o especialista.

Entretanto, de acordo com Carlos Alexandre Fanton Silva, a política econômica  e de governança adotada pela  Gestão Pública  é extremamente tímida para o mercado imobiliário de Campinas. “Não se resolveram uma série de problemas em Campinas, em relação às questões de agilização do processo de aprovação e licenciamento de empreendimentos. Atuamos na criação de estruturas de legislação e procedimentos, na revisão do Plano Diretor Estratégico mas é muito precária a eficácia da ação do poder público hoje. O sistema de fiscalização ambiental da prefeitura é caótico, não funciona, não alcança as necessidades. E há uma diferença de atendimento entre os interesses dos amigos da gestão e daqueles que são apenas cidadãos, de uma forma geral é muito ruim nesse sentido”, finaliza.

Segundo Carlos Alexandre, uma gestão pública que prima por critérios de ações eficazes na aplicação de tecnologias e incentivos para a adoção de políticas de sustentabilidade eficientes é importante para cidade. “Precisamos de uma reforma do Parque  imobiliário da cidade com diretrizes ecourbanísticas. Temos, por exemplo, no transporte público de Campinas o que chamamos de greenwashing,   um verniz que se apropria de virtudes ambientalistas com  uso parcial de biodiesel, de alguns ônibus elétricos, mas que na verdade o cidadão paga uma fortuna por um serviço horrível. A obra, por exemplo, do BRT que está acontecendo é caótica, não pensa nas questões ambientais, tem um impacto ambiental gigantesco, com uma contra partida pífia e um planejamento péssimo de execução e, ainda, voltado para um modelo de transporte que não interage com novas tecnologias e sistemas de transportes”, explica.

Para Carlos, as ciclovias precisam estar interligadas criando acessibilidade entre as áreas públicas e os bairros da cidade.

Habicamp

Segundo o vice-presidente de Meio Ambiente Desenvolvimento Sustentável da Habicamp, o papel da Instituição é ser um agente de mobilização e atuação,  buscamos  desenvolver propostas para uma gestão pública sustentável um caminho para cidades melhores. “Há alguns anos, a Habicamp internaliza esta pauta nos debates entre seus membros técnicos, funcionários e investidores no sentido de incentivá-los a adotarem, no seu processo de projeto os indicadores ambientais necessários para que em cada uma dessas oportunidades de negócios imobiliários se internalize os critérios ambiental e de sustentabilidade como um diferencial para o consumidor final.  Isso é um grande desafio nosso”, finaliza.

 

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