Sem sorteio, Cohab projeta financiar cerca de 500 imóveis em Campinas para renda familiar até R$ 1,8 mil

A Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab) projeta, ainda para este ano, um programa de financiamento habitacional voltado para famílias com renda total de até R$ 1,8 mil. Em entrevista ao G1, o secretário de Habitação e presidente da Cohab, Vinícius Riverete, afirma que serão negociados de 500 a 600 imóveis.

A fila de pessoas no cadastro do órgão acumula 41.724 inscritos, e sorteios de moradias não são realizados desde 2015.

“Hoje a Cohab é uma empresa deficitária. Esse é um novo modelo de negócio que vai fazer com que a gente volte a ter capacidade financeira. […] As parcelas serão pagas na Cohab, que vai criar uma carteira de recebíveis”, afirma.

As unidades residenciais para o financiamento são resultado da Lei do Empreendimento Habitacional de Interesse Social (Ehis):

Ela foi implementada na cidade em 2017, e atrai esse tipo de imóvel para a cidade.

Construtoras que aprovam os projetos das unidades populares junto à Cohab conseguem benefícios.

Entre eles, a redução do prazo para aprovação dos empreendimentos – de até três anos para cerca de 90 dias.

Dos imóveis aprovados, 2% são doados para a Cohab e destinados ao financiamento popular.

“Hoje, essa legislação de Ehis-Cohab já gerou 50 contratos, que são aproximadamente 30 mil unidades. Dessas, 2% serão doadas para a Cohab e elas serão financiadas pela Cohab. De 500 a 600 unidades. Vai ser barato”, explica Riverete.

Segundo o presidente do órgão e secretário, o lançamento oficial do programa será feito pela Prefeitura, mas a data ainda não foi divulgada. Riverete também não detalhou quais serão os critérios para o chamamento das famílias mais pobres cadastradas e o valor que será cobrado pelos imóveis.

A renda de até 1,8 mil se enquadra na Faixa 1 do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), do governo federal. Segundo o gerente comercial do órgão, Eduardo Nasser, no geral, algumas das pessoas que aguardam moradia por meio da fila da Cohab estão na espera há mais de 20 anos.

Parcerias privadas

Desde junho, quando houve um aumento no número de atendimentos na Cohab, com pico de 1,7 mil pessoas por mês, a procura por atualização de cadastro e realização de inscrições seguiu alta. Segundo Nasser, cerca de 1 mil a 1,2 mil pessoas têm buscado o órgão todos os meses.

Em julho, a fila de cadastrados estavam em 41,3 mil, e agora está em 41.724.

Por conta da falta de sorteios há anos, a Cohab tem investido em parcerias habitacionais com construtoras para facilitar a compra de imóveis pelas pessoas que estão na fila. As faixas 1,5 e 2 do programa MCMV, da Caixa Econômica Federal, já começaram a ser beneficiadas.

Faixa 1,5: renda familiar de até R$ R$ 2.600 e subsídio que pode chegar a R$ 42.200

Faixa 2: renda familiar de até R$ 4.000 e subsídio que pode chegar a R$ 27.420

Os inscritos na fila têm os dados atualizados e são enquadrados nas faixas para que a oferta de imóveis populares seja feita. Ao todo, 307 famílias já assinaram com a Caixa, e outras 1,5 mil, aproximadamente estão em fase de negociação. Quem ainda não atualizou os dados, deve procurar a Cohab.

“Nesta primeira fase, foram 307 famílias, com estimativa de chegar a 5.200 unidades provenientes de parceria até dezembro de 2020”, explica o gerente comercial da Cohab.

Como resultado da parceria com as construtoras, a Cohab recebe 1,5% do valor do imóvel negociado. O montante está em R$ 622 mil e deverá ser usado na manutenção do órgão.

“É um valor a menos que vem da prefeitura. O dinheiro repassado à Cohab passa a ser investido em outras coisas da prefeitura”, completa o presidente do órgão.

Regularização fundiária para reduzir fila

Outra medida adotada pela Cohab para reduzir o número de pessoas na fila de espera por moradia é a regularização de imóveis em áreas que foram ocupadas. De janeiro a 12 de novembro, 4,1 mil matrículas foram entregues. (G1)

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