Aluguel bate recorde no Brasil e cresce mais que moradia própria
Avanço reflete dificuldade de acesso à casa própria e mudanças no perfil das famílias
Foto: Rogério Capela – O número de imóveis alugados no Brasil atingiu um novo recorde em 2025, passando a representar uma fatia cada vez maior dos domicílios no país. Dados da Pnad Contínua, divulgados pelo IBGE, mostram que 18,9 milhões de residências são alugadas, o equivalente a 23,8% do total, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2016.
Enquanto isso, a participação de imóveis próprios já quitados apresentou queda e chegou ao menor nível já registrado. Em 2025, essa categoria somou 47,8 milhões de unidades, correspondendo a 60,2% dos lares brasileiros. Embora o número absoluto tenha crescido ao longo dos anos, o ritmo foi inferior ao observado no mercado de locação.
A evolução dos dados evidencia uma mudança estrutural no acesso à moradia. Entre 2016 e 2025, o total de imóveis alugados avançou 54,1%, enquanto os domicílios próprios quitados cresceram apenas 7,3%. Esse descompasso ajuda a explicar o aumento da participação do aluguel no conjunto habitacional do país.

Outro dado relevante é o crescimento dos imóveis próprios ainda em pagamento, que alcançaram 5,4 milhões de unidades em 2025, o equivalente a 6,8% do total, também um recorde. Somadas, todas as formas de moradia própria representam 67% dos domicílios, a menor proporção da série histórica.
De acordo com o presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho, o cenário reflete desafios importantes no acesso à habitação: “O aumento do aluguel indica uma transformação no mercado imobiliário, impulsionada pela dificuldade de aquisição da casa própria, o que reforça a necessidade de políticas habitacionais mais acessíveis e de estímulo ao crédito para a população.”
