Locação acessível ganha força como alternativa ao déficit habitacional no Brasil
Debate no ENIC 2026 destaca modelo multifamily como complemento às políticas de moradia
A busca por soluções para o déficit habitacional brasileiro passa, cada vez mais, pela ampliação da locação acessível. O tema foi destaque no Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026, realizado em São Paulo, onde especialistas discutiram o papel do modelo multifamily como alternativa para ampliar o acesso à moradia, especialmente em áreas urbanas consolidadas.
Durante o evento, representantes do setor ressaltaram que, embora o país tenha iniciado uma redução no déficit habitacional quantitativo, o custo elevado do aluguel segue como principal desafio. Nesse cenário, o modelo multifamily, caracterizado por empreendimentos destinados exclusivamente à locação, surge como uma estratégia com potencial econômico e social, capaz de atrair investimentos e dinamizar o mercado.
A proposta defendida no encontro é que a locação acessível atue de forma complementar a programas habitacionais já existentes, como o Minha Casa, Minha Vida. A ideia é ampliar o acesso não apenas à casa própria, mas também a moradias bem localizadas, com gestão profissional e custos mais equilibrados para diferentes perfis de renda.
Entre as medidas discutidas para viabilizar o modelo estão a oferta de crédito com juros reduzidos, a criação de fundos garantidores para mitigar riscos de inadimplência e a concessão de subsídios direcionados às famílias de menor renda. Também foi sugerida a implementação de projetos-piloto em grandes cidades, com apoio de políticas públicas e parcerias entre os setores público e privado.

Especialistas destacaram ainda que a locação social já integra a política habitacional nacional e pode ser ampliada com o uso de recursos como o FGTS e a estruturação de parcerias público-privadas. Experiências práticas apresentadas no evento reforçaram que o sucesso do modelo depende da integração entre governo, iniciativa privada e sociedade civil.
Segundo o presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho, o avanço do debate representa uma evolução importante: “A locação acessível amplia as possibilidades de atendimento à demanda habitacional, oferecendo soluções mais flexíveis e alinhadas às transformações sociais e urbanas, sem substituir, mas complementando as políticas tradicionais de moradia.”
