Mulheres avançam na construção civil, mas ainda enfrentam desafios no setor
Participação feminina cresce na engenharia e na construção, mas ainda é minoritária na força de trabalho
Foto: Freepik -A presença feminina na construção civil brasileira vem aumentando nos últimos anos, embora ainda represente uma parcela reduzida do total de profissionais do setor. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024 indicam que as mulheres correspondem a 11,5% da força de trabalho na construção. Em contrapartida, no Sistema Confea/Crea, responsável pela regulamentação das engenharias, elas já ocupam mais de 60% dos cargos de liderança.
A escolha pela carreira, para muitas profissionais, têm origem em referências familiares e no interesse por áreas técnicas. É o caso de Juliana Moreira, gerente de Segurança do Trabalho do Seconci-DF, que relata ter sido influenciada por familiares engenheiros, além da afinidade com as ciências exatas, fatores que contribuíram para sua trajetória profissional.
Apesar dos avanços, desafios ainda marcam a atuação feminina no setor. A engenheira Mirelle relata episódios em que precisou comprovar sua qualificação em situações profissionais, sobretudo no início da carreira, evidenciando um cenário de desigualdade. Em contraste, Juliana afirma ter desenvolvido sua carreira em ambientes que reconhecem sua competência técnica sem distinções de gênero.

O cenário atual, no entanto, já apresenta sinais de mudança. A presença feminina tem se ampliado em diversas frentes, incluindo canteiros de obras, escritórios técnicos e posições de liderança. Essa evolução indica uma maior diversidade no setor, que historicamente foi predominantemente masculino, e reforça a importância da inclusão para o fortalecimento da construção civil.
Ainda assim, especialistas apontam que há espaço para avanços, especialmente em temas como equiparação salarial, ampliação de oportunidades e aperfeiçoamento de políticas públicas. O crescimento do número de mulheres em cargos de chefia demonstra progresso, mas também evidencia a necessidade de continuidade nas ações voltadas à equidade de gênero.
De acordo com Francisco de Oliveira Lima Filho, presidente da Habicamp, o avanço feminino na construção civil reflete uma transformação importante no setor. “A ampliação da participação das mulheres, especialmente em cargos técnicos e de liderança, mostra que o setor está evoluindo. Ainda há desafios, mas a diversidade é essencial para inovação, produtividade e desenvolvimento sustentável da construção civil”, afirma.
