Artigo: PIB da construção em 2020

Neste artigo, Sérgio Vargas, Vice-presidente de Economia da Habicamp, fala sobre o PIB da construção em 2020. Saiba mais abaixo!

As previsões econômicas são efetuadas baseadas em expectativas de ocorrências de uma série de eventos. Em época de pandemia como a atual, Covid-19, estas não são otimistas e também contém uma alta dose de incerteza devido o atual nível mundial de conhecimento da doença e a análise de respectivo impacto na economia.

Apesar das dificuldades da situação atual, a análise da figura acima indica que, nos 16 anos – 2004 a 2019 – os PIBs do Brasil e da construção civil tiveram comportamentos na mesma direção , positivo ou negativo, evidentemente com taxas diferenciadas. Somente em cinco anos – 2005, 2009, 2014,2017 e 2018, o desempenho não foi na mesma direção. É dizer que há uma forte correlação entre estes PIBs.

A atividade econômica da construção civil fechou o de 2019 em alta (1,6%) pela primeira vez e após cinco anos consecutivos de queda. A perspectiva no ano passado era que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil cresceria entre 2% a 4%. Este ano, o resultado positivo colocaria o fim de um ciclo de retração que perdurou entre 2014 a 2018, quando o PIB encolheu 27,69%. A expectativa é que o setor da construção iria acelerar o ritmo em 2020, visto antes da pandemia Covid-19.

A cadeia da construção civil tem papel importante para a retomada da economia pós-pandemia. Por injetar recursos e gerar empregos, rapidamente, em especial para a mão de obra sem qualificação, têm potencial de absorver parte dos desempregados e fazer a roda do consumo girar. No entanto, as liberações de recursos estão estáveis há anos, a população cresce, o déficit habitacional aumenta, e não se consegue elevar a habitação de interesse social, obviamente a falta de recursos financeiros desaquece o setor.

Cabe assinalar que a SELIC está no menor patamar da história (2,25%). Os fundos imobiliários carregam bilhões em investimentos, e suas carteiras serão rapidamente adequadas à nova realidade. A queda do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 9,73% entre março e abril, feitos os ajustes sazonais, foi o pior resultado para o mês na série histórica do BC. O Banco mundial projeta os dados de queda do PIB a saber:

 

– Mundo: (-5,2%)
– Economias avançadas: (-7,0%)
– América Latina e Caribe: (-7,2%)
– Brasil: (-8,0%)

 

Após quase 120 dias de o país ser atingido pela Covid-19, as expectativas para o crescimento da economia em 2020 pararam de piorar. Estimativa feita pela equipe do monitor do PIB da FGV indica que o país cresceu 4,2% em maio de 2020 em comparação com abril de 2020.

Os economistas otimistas indicam que surpresas positivas poderiam aliviar um pouco a recessão, apostam que os programas de transferência de renda e de fomento de credito farão a diferença, mas os pessimistas entendem que o desemprego provocará uma queda de renda mais forte do que os ganhos vindos dos programas. Antes da Pandemia, o consenso entre os especialistas era de um crescimento no PIB de 2%. Acredita-se hoje que há mais coesão em torno de 6,5% negativos. O PIB da construção teve queda de 2,4% no 1° trimestre de 2020 em relação ao 4° trimestre de 2019, sobre o mesmo período de 2019 houve queda de 1%. A incerteza existente sobre a duração e profundidade da crise deve manter o setor em compasso de espera.

A perspectiva é ruim em 2020, pois do setor depende de variáveis em queda atualmente: confiança e renda. O PIB de construção deve levar um recuo que pode chegar a 10% este ano. Os efeitos da recessão, COVID-19, como desemprego, queda de renda e restrição ao crédito devem afundar os números da construção. O cenário-base é que o recuo situe-se 7,5% que 2020.

Sobre o futuro o que vai determinar a retomada será a volta de confiança.

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