Brasileiros estão mais conscientes para comprar imóveis

O mercado imobiliário mais do que dobrou o número de lançamentos no segundo
trimestre de 2018. De acordo com dados divulgados CBIC (Câmara Brasileira da
Indústria da Construção), foram colocadas 25 485 mil novas unidades no
mercado. Em relação ao mesmo trimestre de 2017, o aumento foi de 19,9%,
quando 21.257 unidades foram lançadas.

Ao R7, José Carlos Martins, presidente da CBIC, explica que apesar do
aumento do número de lançamentos, os compradores estão mais conscientes em
relação ao passado. “Como tinha uma valorização dos imóveis muito grande,
algumas pessoas compravam para revender logo na sequência e ter um lucro em
cima disso. Não é esse mercado que a gente quer”, avalia. “A gente quer a
compra consciente, daquele que compra para levar para si, quer levar para
sua família, quer comprar para um filho. A gente quer que aquele imóvel seja
utilizado para que não acontecer o que aconteceu. E as pessoas estão mais
conscientes.”

Segundo Martins, existe um equilíbrio maior atualmente. “Hoje, o mercado é
muito mais maduro. Digo isso tanto das empresas quanto dos compradores, dos
corretores. Antigamente, corretor queria vender a qualquer custo, mesmo que
não tivesse condições. Temos uma demanda mais firme.”

Porém, o presidente da CBIC alerta para o risco de um novo aumento dos
preços. “Na época do boom imobiliário, lá para 2010, as pessoas saíam às
compras e aumentou, em valores reais, de 35 a 40% os valores dos imóveis.
Estamos avisando que pode acontecer novamente e a gente não quer que isso
aconteça porque não é um bom momento para que isso aconteça novamente.”

O programa Minha Casa Minha Vida, lançado em março de 2009 pelo Governo
Federal, já fez mais de seis milhões de moradias em todo o país. De acordo
com Martins, cerca de 70% dos lançamentos ofertados no Brasil são oriundos
do MCMV. “Esse número tem alguns significados. Em 2014, o programa tinha 25%
do mercado. Hoje, se falarmos em unidades, chega a 70%”, explica. “O que
aconteceu: a caderneta de poupança perdeu recursos por causa da Selic muito
alta. Aí, não tinha dinheiro para financiar, já o fundo de garantia tinha. O
encolhimento da poupança foi que fez com que o Minha Casa fosse mais
significante”, acrescenta.

O presidente da CBIC ainda diz que outro fator é determinante para os
números expressivos do programa de moradia. “A renda dos brasileiros
encolheu. Então, aquelas pessoas que poderiam comprar um imóvel de maior
valor, já estão comprando um de menor valor. O programa cabe mais no bolso.”
(Ibrafi)

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