Caixa vai oferecer renegociação de dívida no setor imobiliário

Para tentar ajudar a trazer algum estímulo à fraca economia brasileira, a
Caixa Econômica Federal anunciou ontem não só o início da renegociação de dívidas de quase 3 milhões de pessoas físicas e jurídicas como também
informou que, em até 30 dias, deve fazer algo semelhante com os
financiamentos imobiliários.

A expectativa da Caixa é recuperar R$ 1 bilhão em dívidas que já foram
lançadas a prejuízo pela instituição financeira, ou seja, 25% da dívida
considerando o desconto médio de 85,7% (R$ 4,1 bilhões). A dívida total, já
retirada do balanço, soma R$ 28,624 bilhões, sendo R$ 15,654 bilhões de
pessoa física e R$ 12,969 bilhões de pessoa jurídica.

O presidente do banco, Pedro Guimarães, não deu detalhes sobre as novas
ações do banco. Mas ressaltou que existem umas quatro ações em gestação que só serão anunciadas quando estiverem prontas para não provocarem corrida à instituição.

Essa renegociação é a primeira de cinco medidas. “A gente é um banco de
Estado, não um banco de governo. Eu, como presidente, não aceito pessoas há quatro anos sem sua cidadania. São ações, têm mais quatro”, frisou
Guimarães, acrescentando que o objetivo “é fazer anúncios toda a semana”. “A gente vai fazer uma outra renegociação na parte imobiliária”, afirmou ainda, sem dar detalhes.

Guimarães concentrou suas falas em explicar a renegociação das dívidas das pessoas físicas e jurídicas que, na avaliação dele, contribui para que esses brasileiros resgatem sua cidadania e troquem dívidas que cobram “taxas abusivas” por crédito mais barato. Ao fazer essa mudança, conforme o presidente do banco, haverá uma sobra de orçamento, que poderá ser gasta com outras coisas.

A campanha de renegociação das dívidas foi lançada ontem pela Caixa e vai
vigorar por 90 dias. O objetivo é estimular a regularização de débitos com
atraso superior a 360 dias com descontos que variam entre 40% e 90% para
liquidação à vista, conforme a situação dos contratos e o tipo da operação
de crédito. Guimarães ressaltou que serão renegociados contratos “sem
garantia, sem dolo e com valores entre R$ 50 e R$ 50 milhões”.

Inicialmente, os pagamentos poderão ser feitos apenas à vista, mas o banco
avalia a possibilidade de permitir o parcelamento. Atualmente, as regras de
governança da Caixa não permitem parcelamento. Para viabilizar isso, a
medida precisaria ser aprovada pelo conselho de administração da
instituição. Todo esse processo, conforme Guimarães, poderia levar de dois a três meses e ele não gostaria de esperar tanto tempo “dada a urgência da
situação econômica brasileira”.

A campanha vai abranger cerca de 2,6 milhões de clientes pessoa física, dos
quais 92% poderão quitar suas dívidas à vista por valores inferiores a R$ 2
mil, e 320 mil pessoas jurídicas, em que 65% têm possibilidade de quitar à
vista com valores inferiores a R$ 5 mil. O presidente da Caixa destacou
ainda que 80% das pessoas têm dívida próxima de R$ 1 mil e 67% de R$ 500.
Guimarães ressaltou, no entanto, que não farão a renegociação para devedores que estão negativados por mais de quatro anos.

Os devedores estão distribuídos da seguinte forma por região: 45% no
Sudeste, 23% no Nordeste, 16% no Sul e 10% no Centro-Oeste. A metade dos
devedores tem idade entre 30 e 50 anos. (Valor Econômico – Finanças –
29/05/2019)

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