Campinas sobe no ranking do consumo

Mesmo em tempos de estagnação na economia, Campinas tem conseguido manter sua pujança consumidora. O estudo IPC Maps 2018, divulgado na semana, mostra que a cidade subiu uma posição no ranking nacional de potencial de consumo em relação a 2017, ultrapassou Manaus (AM) e voltou a figurar no Top 10 do País, ocupando o 10º lugar geral. Os maiores mercados continuam sendo São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e Goiânia.
Ao longo do ano, as famílias campineiras devem movimentar R$ 37,6 bilhões na economia, num sinal de que os velhos hábitos dos consumidores têm voltado a aparecer, ainda que lentamente, após seguidos anos de retração. No ranking estadual, Campinas só fica atrás da capital, que, por sua vez, é disparada a campeã nacional no potencial de consumo.
A força de Campinas também se estende para suas vizinhas, tanto que mais da metade (11 das 20) das cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão entre as cem primeiras do Estado, com previsão de movimentar cifras na faixa de R$ 104 bilhões neste ano.
De acordo com o responsável pelo estudo, Marcos Pazzini, Campinas possui características em sua geografia e população que favorecem a posição de destaque no potencial de consumo. “Campinas é uma cidade com importância muito grande no cenário do consumo paulista e nacional. É uma posição que deve ser levada em consideração pelos investidores. A cidade tem uma população mesclada, com classe alta, média e baixa bem definidas, o que a deixa, ao lado de Curitiba, como um bom local para teste ou pontapé inicial de um novo produto” , disse Pazzini, que pondera quando questionado sobre as perspectivas da cidade e do Brasil para os próximos anos. “Se levarmos em consideração que desde 2014 vínhamos num cenário recessivo, e agora voltamos a encerrar o ciclo de quedas pelo segundo ano consecutivo, é algo a ser comemorado. Mas a perspectiva de alta neste ano ainda é de 3%, longe de recuperar os anos perdidos das famílias brasileiras. O que ainda atrapalha um pouco é o cenário político, o aumento de combustíveis, greve e desemprego, que inibem o consumo”, comentou.
Para a vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) Adriana Flosi, a recuperação da cidade ainda é tímida no comércio, mas notória. “A vocação da cidade é este desenvolvimento, por isso ela sempre se destaca nos rankings, deixando até capitais para trás. Mesmo com a crise, empresas novas sempre vêm para cá, e neste primeiro trimestre já pudemos sentir uma recuperação na economia e no comércio, mas ainda é muito sutil” , avaliou Flosi.
Em tempos de crise, as famílias ainda gastam mais a sua renda para a manutenção do lar, incluindo gastos com aluguéis, impostos, luz, água e gás, do que com compras em geral ou recreação.
De acordo com o IPC Maps, as despesas com a casa lideram a lista de consumo, absorvendo 26,8% do mercado. Os demais itens também são básicos, como: alimentação (17,2% no domicílio e fora), transportes e veículo próprio (7,5%), vestuário e calçados (4,8%), materiais de construção (4,4%), recreação, cultura e viagens (3,3%), medicamentos (3,2%), eletrodomésticos e equipamentos (2,4%), educação (2,2%), higiene pessoal (2,2%), móveis e artigos do lar (1,9%), bebidas (1,2%) e artigos de limpeza (0,7%), entre outros.
O potencial de consumo das famílias brasileiras em 2018 é de R$ 4,45 trilhões, estimando-se um índice de inflação IPCA de 3,70%. Em termos regionais, o Sudeste segue liderando o consumo com 48,81% (ante 48,78% de 2017), seguido pelo Nordeste que mantém os 18,84% anteriores, e pela região Sul que, com praticamente um terço da população do Nordeste, amplia sua participação para 18,07% (contra 17,94%).
Já a região Centro Oeste cai de 8,51% para 8,39%, bem como a Norte que, de 5,93% chega a 5,89%. O perfil do consumo urbano por extratos sociais apresenta pequenas variações, mantendo em geral as características dos últimos anos. A classe B, presente em 22,3% dos domicílios, lidera o ranking, respondendo por 40,4% (cerca de 1,67 trilhão) do desembolso dos recursos. Em seguida vem a classe média (C), predominando em 48,2% das residências e movimentando 36,5% (R$ 1,51 trilhão). No topo da pirâmide, a classe alta (A), com 2,6% dos domicílios, recupera os 13,4% (ou R$ 555,3 bilhões) registrados em 2016, contra os 12,9% de 2017. Em contrapartida, a classe D/E reduz seus gastos de 10,3% em 2017 para 9,6 % (ou R$ 396,5 bilhões) neste ano, em 27% dos domicílios. (Correio Popular)

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