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Crédito a imóvel terá fôlego em 2018

Com menor atuação da Caixa no crédito imobiliário os bancos privados já chegam a projetar aumento de dois dígitos na carteira. Apesar da tendência de estagnação dos juros, a chegada da Letra Imobiliária Garantida (LIG) como funding deve ajudar a linha em 2018. O ano de restrições fiscais por parte do governo e a consequente diminuição da Caixa Econômica Federal tanto do teto de financiamento como no ritmo de empréstimos, abriu espaço para a atuação dos bancos privados na linha.

Até o terceiro trimestre, por exemplo, as três maiores instituições financeiras privadas do País (Bradesco, Itaú e Santander) somaram mais de R$ 98,856 bilhões em crédito imobiliário concedido. O volume é 2,8% maior do que o observado em igual período de 2016, por exemplo, de R$ 96,094 bilhões.

De acordo com o executivo de um grande banco privado que preferiu não se identificar, mesmo que a sinalização seja de que esse posicionamento da Caixa seja temporário, as instituições privadas têm “interesse e capacidade de suprir qualquer volatilidade no segmento”. “O SFH [Sistema Financeiro da Habitação] não pode sofrer com a falta de apetite das instituições. O cenário dos bancos públicos já está dado e o que vem daqui para frente é uma competição bastante forte para suprir esse descompasso”, disse ao DCI.

O movimento já tem sido visto desde o terceiro trimestre quando os bancos não apenas reduziram os juros da linha para acompanhar a queda da taxa básica de juros (Selic) e, a partir de agora, também sinalizam um crescimento maior no ano que vem. “Nós vemos o crédito imobiliário como um produto extremamente estratégico e focado no relacionamento com o cliente e queremos estar entre os primeiros players do setor. A ideia é que, em 2018, o volume de concessões cresça, no mínimo, 30%”, disse o superintendente executivo de negócios imobiliários do Santander, Fabrizio Ianelli.

Nesse posicionamento mais agressivo, os bancos privados diminuíram a taxa de juros do financiamento para um dígito já em agosto deste ano, sendo o Bradesco o mais barato (taxa a partir de 9,5%), seguido por Itaú (9,9%) e Santander (9,99%) Para o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Abreu Filho, mesmo com a melhora da poupança e do andamento do Minha Casa Minha Vida com o FGTS, a expectativa é que o avanço seja gradual e que este ano seja de empate com 2016. “Será uma reação sem grandes saldos. Devemos fechar 2017 em queda de 3%, volume já bem melhor comparado ao recuo de 12% do primeiro semestre. O grande problema ainda é de demanda”, pontua o presidente da Abecip.

Os especialistas ponderam, ainda, que a grande parte do fluxo do setor veio da abertura dos bancos em questão de oferta e juros para uma demanda já existente e, acabado esse processo, será difícil ultrapassar a barreira da insegurança. “Há dois lados da moeda. De um, há a escassez da Caixa e o posicionamento mais agressivo dos outros bancos mas, de outro, consumidores e empresários ainda estão incertos sobre o futuro para fazer dívidas de longo prazo”, explica o professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais de Minas Gerais (Ibmec-MG) Felipe Leroy. “A curva de juros de longo prazo já cedeu um pouco, mas ainda está muito volátil frente ao cenário de incertezas. Se as reformas passarem, por exemplo, o apetite dos bancos em emprestar aumenta bastante. Caso contrário, os investimentos no setor continuarão contidos e todos muito cautelosos”, completa Gilberto de Abreu.

Ao mesmo tempo, porém, a chegada da Letra Imobiliária Garantida (LIG) como funding do setor é vista com bons olhos e tem potencial para preencher a lacuna de falta de recursos das instituições públicas. Segundo o gerente de projetos da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Renato Lomonaco, o produto (similar aos c overe d-bonds europeus), deve ser mais seguro e tende a suprir a limitação que a poupança e o FGTS deixam no mercado. “A LIG deve estar completamente implementada no começo do ano que vem e, mesmo com um período de maturação, ela vai permitir uma flexibilização maior e vem como uma alternativa muito importante de funding para o setor”, analisa.

“A LIG vem como uma válvula de escape em uma hora muito propícia para o mercado. Mas a espera ainda é pela melhora do cenário econômico, porque só assim teremos juros menores e maior confiança dos tomadore s”, conclui Leroy, do Ibmec. (DCI)

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