construção civil

Crédito para construção despenca 62,9% e acende alerta para novos investimentos

Apesar da geração de empregos e crescimento no setor, alta dos juros e custo elevado reduzem drasticamente o financiamento imobiliário em 2025

Foto: divulgação – O crédito destinado à construção imobiliária no Brasil sofreu uma retração expressiva de 62,9% nos primeiros cinco meses de 2025, em comparação com o mesmo período do ano passado. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (29) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), que relaciona a queda à combinação de juros altos, inflação resistente e incertezas fiscais.

De acordo com os dados, o número de unidades habitacionais financiadas com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) despencou de 65,1 mil para 24,1 mil em um ano. O volume total de crédito também foi impactado, caindo 54,1% — de R$15,5 bilhões para R$7,1 bilhões. O SBPE é uma das principais fontes de financiamento para produção imobiliária no país.

A taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15%, é apontada como um dos maiores entraves para o acesso ao crédito. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta semana, e a expectativa é de manutenção do patamar elevado. Enquanto isso, os bancos têm redirecionado suas ofertas de crédito para imóveis prontos, considerados menos arriscados que o financiamento da construção.

A economista-chefe da Cbic, Ieda Vasconcelos, destacou que os custos da construção civil, tanto de insumos quanto de mão de obra, acumulam alta de mais de 54% desde 2020, superando a inflação no mesmo período. Esse aumento afeta a rentabilidade dos projetos e eleva a cautela das instituições financeiras. A economista alertou ainda que, se o cenário atual persistir, há risco de desaceleração mais acentuada do setor a partir de 2026.

O presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho.

Apesar da redução no crédito, o setor da construção civil tem mantido bom desempenho no mercado de trabalho, com mais de 3 milhões de empregos formais, o maior patamar desde 2014. O crescimento projetado para este ano é de 2,3%, puxado principalmente por projetos lançados em 2023 e 2024. No entanto, a Cbic alerta que as expectativas para novos empreendimentos em julho ficaram no segundo pior nível do ano, o que compromete o ritmo de crescimento no médio e longo prazo.

Para Francisco de Oliveira Lima Filho, presidente da Habicamp, o momento exige atenção e planejamento. “A retração no crédito acende um sinal amarelo. O setor ainda está aquecido graças ao ciclo de investimentos passados, mas precisamos de estímulos e previsibilidade para garantir a continuidade do crescimento e manter a confiança dos investidores no futuro da construção civil”, afirma.

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