Crise afasta investimentos da RMC

A turbulência política e a estagnação da economia afastaram radicalmente os investimentos na Região Metropolitana de Campinas (RMC) no primeiro
trimestre deste ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado,
quando R$ 1,51 bilhão foram anunciados, a queda foi de 57,4% — este ano, a RMC recebeu R$ 644,38 milhões. A informação é da Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp), elaborada pela Fundação Seade.

A atração da RMC foi na contramão do verificado no Estado que, de janeiro a março, registrou R$ 29,5 bilhões, contra R$ 25,2 bilhões no ano passado, um crescimento de 17%. O volume captado no Estado representou mais da metade do total anunciado em 2018. Segundo a Seade, no trimestre, 87,2% dos recursos anunciados foram alocados na abrangência inter-regional, por envolverem várias regiões, sem especificação de valor para cada uma delas. Outros 12% foram divididos entre a macrorregião de Campinas, com R$ 1,9 milhão e a Região Metropolitana de São Paulo, com R$ 1,6 milhão.

O diretor regional em exercício do Centro das Indústrias do Estado de São
Paulo (Ciesp), José Henrique Toledo Corrêa, avalia que ainda é cedo para se
falar em queda na competitividade da RMC no Estado, porque o levantamento tem como foco os primeiros três meses do ano. “Eu acredito em reviravolta, porque o Estado tem condições de receber investimentos e muitas regiões já estão vivenciando isso, como Jundiaí, Sorocaba, o eixo Anhanguera. Muitas empresas querem vir para a região, mas a conjuntura está dificultando”, afirmou.

O setor de serviços na RMC foi o que mais captou investimentos (com R$
323,38 milhões), seguido da indústria com R$ 180 milhões e de
infraestrutura, com R$ 141 milhões. “Estamos vivendo um período preocupante. Não há segurança jurídica para investimentos, a maioria espera que a reforma da Previdência promova algum milagre de retomada da economia, mas ela sozinha não fará nada.

Temos hoje um Estado que perdeu sua capacidade de realizar investimentos e não está sabendo como lidar com isso”, afirmou o economista João Carlos Castanho, consultor de investimentos. Para ele, são necessárias reformas profundas, especialmente a tributária, mas que possa reduzir a carga tributária a que os setores produtivos estão submetidos.

Apenas um investimento industrial foi anunciado no primeiro trimestre, no
valor de R$ 180 milhões. Ele é destinado à expansão da produção da linha de cefalosporinas, na fábrica da Antibióticos do Brasil, de Cosmópolis. É uma linha de antibióticos usados no tratamento de infecções bacterianas.

Em serviços, o maior anúncio foi da Odata, em Hortolândia, que vai investir
R$ 230 milhões na construção de data Center para grandes volumes de
processamento do tipo co-location. Também haverá investimento importante do Centro Infantil Boldrini, na construção do Instituto de Engenharia Molecular e Celular, e aquisição de equipamentos. O investimento será de R$ 48,22 milhões.

Na área de infraestrutura estão previstos dois investimentos da BRK
Ambiental, em Sumaré, que somam R$ 136 milhões para ampliação e modernização dos sistemas de água e esgoto.

“A maioria dos investimentos anunciados vem do setor privado. Apesar da
situação grave do País, com previsão de grande queda no Produto Interno
Bruto (PIB) para este ano, ainda está havendo fôlego para fazer aportes em
ampliações ou novos empreendimentos. Mas temos hoje um setor público
paralisado, e isso é muito grave”, afirmou o economista Paulo Marcos Blanco. (Correio Popular)

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