créditoImóveis

Déficit habitacional recua pelo segundo ano seguido e atinge menor nível histórico no Brasil

Queda é atribuída à retomada de políticas públicas, mas mudanças no perfil das famílias ainda limitam avanço

Foto: Ricardo Stuckert / PR – Pelo segundo ano consecutivo, o déficit habitacional no Brasil apresentou retração e encerrou 2024 em 5,77 milhões de moradias, de acordo com levantamento da Fundação João Pinheiro (FJP), divulgado pelo Ministério das Cidades. Apesar da melhora no cenário nacional, o comportamento regional foi desigual: enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste registraram queda na demanda por habitação, as regiões Sul e Sudeste apresentaram aumento no período.

A redução ocorreu após o pico registrado em 2022, quando o déficit ultrapassou 6 milhões de moradias. Desde então, os números vêm apresentando recuo gradual, indicando uma tendência de melhora, ainda que em ritmo moderado. Em termos relativos, o déficit corresponde agora a 7,4% dos domicílios ocupados no país, o menor percentual já registrado, abaixo dos 7,6% verificados em 2023.

Entre os fatores que explicam essa diminuição está a retomada do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em 2023. Em dois anos, a redução acumulada foi de 7,1%, sendo 3,4% apenas entre 2023 e 2024. No período, mais de 441 mil famílias deixaram de integrar o déficit habitacional, impulsionadas principalmente pela entrega de 923,9 mil moradias vinculadas ao programa federal.

Apesar dos avanços, mudanças demográficas têm impactado o ritmo de queda. O crescimento do número de famílias unipessoais, compostas por apenas um indivíduo, tem ampliado a demanda por moradias, o que reduz o impacto das políticas públicas no enfrentamento do déficit. Esse fator ajuda a explicar por que a retração não foi ainda mais significativa.

A pesquisa também detalha os componentes do déficit habitacional, destacando a predominância do ônus excessivo com aluguel, que representa 62,14% do total, com 3,59 milhões de domicílios nessa condição. Ainda assim, houve redução em relação ao ano anterior. Também foram registradas quedas nos indicadores de habitação precária, que recuou 7%, e de coabitação, que diminuiu 3,9%, sinalizando melhora nas condições gerais de moradia.

O presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho.

Por outro lado, o estudo aponta um aumento no número de domicílios com algum tipo de inadequação, que chegou a 27,9 milhões em 2024. A maior parte dessas inadequações está relacionada à infraestrutura básica, como acesso à água potável, saneamento, coleta de resíduos e energia elétrica.

Para o presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho, os dados mostram avanços importantes, mas reforçam a necessidade de políticas estruturais contínuas: “A redução do déficit é um sinal positivo, mas ainda há desafios relevantes, especialmente na qualidade das moradias e no acesso à infraestrutura adequada, que exigem planejamento e investimentos de longo prazo.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Precisa de ajuda?
hacklink satın al casibom meritking marsbahis meritking giriş marsbahis giriş casibom giriş kingroyal casibom giriş casibom jojobet bets10 extrabet bahiscasino süperbetin holiganbet kingroyal giriş casibom