Mitsubishi Electrics expande no Brasil com robôs e prédios inteligentes

A Mitsubishi Electrics, que cresceu 70% durante a crise no Brasil, espera avançar ainda mais nos próximos anos. A meta é dobrar o faturamento até o final de 2021 e continuar contratando para incrementar seu grupo de funcionários.
A empresa vende desde robôs, sistemas de automação para indústrias e edifícios, ar condicionado e até elevadores. Os sistemas industriais são usados principalmente na indústria alimentícia, para embalagens e envase de alimentos – como o envase do shoyu da Sakura – mas também estão presentes nas indústrias automotiva, química, farmacêutica e de água e saneamento, entre outras.
Os produtos da Mitsubishi Electric já eram vendidos no país por distribuidores desde 1975, mas em 2011 a empresa resolveu abrir um escritório no país e tomar controle da operação. Logo veio a crise econômica, que estagnou segmentos onde estavam seus principais clientes.
Também enfrentou a forte variação cambial. Todos os produtos vendidos no mundo todo são fabricados no Japão e importados. A empresa afirma que, mesmo com as taxas de importação, consegue oferecer preços competitivos já que, ao concentrar a produção, ganha eficiência e custos mais baixos com a larga escala.
Nos últimos meses, com a forte flutuação da moeda, a empresa japonesa manteve o preço estável e absorveu as perdas. Dessa forma, conseguiu ganhar mercado em cima dos concorrentes, que aumentaram os preços conforme a variação cambial. Funcionou: em setembro deste ano, as vendas foram 40% superiores ao mesmo mês do ano passado.
A absorção dos custos com a variação cambial mostra a estratégia da japonesa. Quando desembarcou por aqui, seus planos miravam os resultados de 2021, 20 anos depois. “A empresa está no Brasil de olho no longo prazo”, afirma Fabiano Lourenço, diretor executivo da Mitsubishi Electric. “A empresa precisa estar preparada para quando o Brasil explodir”.
Desde sua chegada definitiva no país, seu faturamento já cresceu mais de cinco vezes. Nos últimos quatro anos, o faturamento foi multiplicado em quase quatro vezes e o número de funcionários dobrou.
De 2014 a 2017, a divisão de Automação Industrial (IA) aumentou suas vendas em 70% e, de 2016 a 2017, incrementou o número de colaboradores em 34%, além de expandir o estoque local em 28%.
O crescimento no período foi suportado pelo aumento expressivo da rede de parceiros de vendas, composta por distribuidores e integradores de sistemas. De 2015 a 2018, o número de distribuidores aumentou 118% e a quantidade de integradores parceiros teve incremento de 320%.
AUTOMAÇÃO PREDIAL
Com um único sistema, a empresa consegue controlar janelas, iluminação, temperatura e elevadores de um prédio. A Mitsubishi produz tanto os equipamentos, como ar condicionado e elevadores, quanto os sistemas que os controlam.
O sistema verifica a temperatura de cada parte do prédio e a incidência solar para controlar o ar condicionado. Os elevadores inteligentes aprendem os hábitos dos condôminos e podem se direcionar para um ou outro andar de acordo com os diferentes horários de pico.
Essas inovações já estão presentes nos escritórios da companhia em São Paulo. A empresa também atua com automação de redes de hospitais e fechou um contrato para um hotel no Rio de Janeiro.
No mundo, o grupo Mitsubishi Electric fechou o ano fiscal de 2018, de abril de 2017 a março de 2018, com vendas líquidas de US$ 41,8 bi, aumento de 5% em relação ao ano fiscal anterior e recorde desde sua fundação.
No período, a companhia também apresentou EBITDA de US$ 3,4 bi, aumento de 23% em relação ao período anterior. Globalmente, a unidade de Automação Industrial é a maior do grupo, representando 28% do faturamento. A empresa não abre o faturamento do Brasil ou sua participação
A Mitsubishi Electric surgiu do antigo grupo de mesmo nome, assim como a Mitsubishi Motors, a faceta mais conhecida aqui no Brasil.
Elas estão ao lado de outros negócios que nasceram do antigo grupo desmembrado no século 19, dando origem a companhias como a Kirin, Nikon, a seguradora Tokio Marine entre outros, e que hoje atuam em áreas tão diferentes quanto bancos, construção de navios e indústria. Hoje, essas empresas são totalmente independentes, com um vínculo apenas cultural e algumas delas mantém o logo dos Three-Diamonds. (Exame)

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