Obras são retomadas em prédio abandonado

O esqueleto de concreto estava lá, esquecido, desde meados dos anos 90. Era
mais uma obra da Encol, que foi líder do mercado da construção civil, mas
que acabou falindo e deixando diversos edifícios inacabados. O prédio da Via
Itapura era o exemplo clássico. Os compradores ficaram na mão. Os vizinhos
herdaram, na frente de casa, um imóvel que virou criadouro de mosquito e
esconderijo de desocupados.

A estrutura brotou ali, no coração da Rua Luiz José Pereira de Queizoz – rua
curtinha, nas imediações do badalado Bar Furlan. Com o tempo, o prédio
largado foi rodeado de prédios de apartamentos. Alguns de alto padrão,
habitados por famílias muito conhecidas no bairro.

As obras foram retomadas no primeiro semestre deste ano pela Peres & Peres,
incorporadora do mesmo grupo empresarial que administra a Imobiliária
Governador. O acordo de compra e venda foi fechado com os credores da massa
falida, donos dos apartamentos projetados. Mas o valor investido pela
construtora é guardado a sete chaves. Mas não foi pouco, naturalmente.
Afinal, serão 48 apartamentos de dois dormitórios, distribuídos por 12
andares, que finalmente vão sair da planta.

De acordo com o encarregado de obras Kevin Henrique, o trabalho recomeçou
com a análise técnica das fundações, abandonadas há tanto tempo. Passada a
primeira fase – que constatou que a estrutura segue impecável – os 12
operários da incorporadora já começaram a execução das lajes dos andares
inferiores.

De acordo com o empreendedor Israel Peres, diretor da construtora, o acordo
com os compromissários permite o relançamento do prédio de apartamentos a
novos proprietários. Mas as vendas ainda não começaram. Primeiro, a
incorporadora vai fechar os vãos com paredes e mostrar, para a vizinhança,
que o prédio virou um brinco. Cada unidade cai ter 72 metros quadrados. Nem
se definiu, ainda, o preço de cada uma.

Alívio

A retomada das obras do edifício na Rua Comendador Luiz Queiroz foi um
alívio para os vizinhos. O zelador Amauri da Silva Santos é, desde 2010,
funcionário de um prédio residencial localizado bem de frente à construção
inacabada. Ele conta que as famílias, por ali, estavam muito preocupadas com
a situação.

“Condomínios ao redor se cotizavam para pagar a limpeza e a eliminação dos
criadouros do mosquito da dengue. Era um problema coletivo. Assim foi
feito”, conta. “Agora, todo mundo está feliz de ver os pedreiros
trabalhando.”

Mas o problema, por ali, não se limitava aos mosquitos. Segundo o
empreendedor Israel Peres, moradores em situação de rua se refugiavam no
prédio, e havia medo de que o espaço servisse para o consumo de drogas ou
como esconderijo de ladrões, “O esqueleto acabava desvalorizando todos os
imóveis vizinhos”, afirma.

A Encol foi fundada em 1961 na cidade de Goiânia (GO). Foi uma das mais
importantes empresas do setor imobiliário. Mas a decadência começou nos anos
90, após problemas administrativos sérios. Surgiram denúncias de sonegação
fiscal, fraude e inadimplência, que levaram a corporação a ser investigada
por uma Comissão Especial de Inquérito (CPI) formada em Brasília. Mesmo sem
comprovação na época, as denúncias fizeram despencar a confiança na empresa,
até o decreto de intervenção administrativa e falência. (Correio Popular)

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