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Construção civil desacelera geração de empregos em Campinas diante de cenário econômico desafiador

Dados do Caged apontam redução no ritmo de contratações do setor, enquanto juros elevados e aumento dos custos pressionam o mercado imobiliário

Foto: divulgação – A construção civil de Campinas apresentou perda de fôlego na criação de empregos formais ao longo de 2026. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que, após iniciar o ano com saldo positivo de 334 vagas em janeiro, o setor passou a registrar fechamento de postos de trabalho nos meses de abril e maio, interrompendo a trajetória de crescimento observada no início do período.

Na avaliação do economista Eli Borochovicius, professor da PUC-Campinas, a desaceleração está associada a um conjunto de fatores que vêm impactando diretamente o mercado imobiliário. Entre eles estão as taxas de juros ainda elevadas, a redução do poder de compra das famílias e o aumento dos custos da construção, fatores que restringem o lançamento de novos empreendimentos e influenciam a geração de empregos.

O especialista destaca que o financiamento continua sendo a principal forma de aquisição de imóveis no Brasil. Com o crédito mais caro e o aumento da inadimplência, muitos consumidores adiam a compra da casa própria, reduzindo a demanda por novos empreendimentos. Embora o Banco Central tenha iniciado um movimento de redução da taxa básica de juros, o custo do crédito permanece elevado, limitando a recuperação do setor.

O presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho.

Outro fator apontado é a pressão sobre os custos das obras. O aumento nos preços de materiais como aço, alumínio, madeira e outros insumos eleva o custo de produção, levando as construtoras a repassar parte desses reajustes ao valor final dos imóveis. Esse cenário, aliado à perda do poder aquisitivo da população, dificulta as vendas e contribui para um ambiente de maior cautela por parte das empresas.

De acordo com Francisco de Oliveira Lima Filho, presidente da Habicamp, o momento exige planejamento e políticas que favoreçam o fortalecimento da construção civil. “A redução no ritmo de geração de empregos reflete os desafios enfrentados pelo setor, principalmente em relação ao custo do crédito e da construção. Medidas que ampliem o acesso ao financiamento e estimulem novos investimentos são fundamentais para manter a atividade aquecida e preservar a geração de emprego e renda”, afirma.

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