Fundos Imobiliários: o apetite para Investimento está voltando

Apesar do indicador de desempenho médio das cotações dos fundos imobiliários
negociados, o IFIX (Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários), ter
demonstrado uma queda de janeiro até junho, e de essa queda ter grandes
chances de se estender até novembro (em razão das eleições gerais no país),
esse é um investimento bem menos volátil que a Bolsa de Valores, por
exemplo. O apetite de investidores tanto nacionais quanto internacionais tem
se mostrado sólido.

A Vision Brazil Investments, gestora de recursos focada em investidores
institucionais, atua neste setor desde 2007, quando adquiriu participação
societária em um importante projeto de desenvolvimento imobiliário
residencial. Já em 2008, a empresa lançou o seu primeiro fundo imobiliário
com foco em empreendimentos comerciais e residenciais em São Paulo, Rio de
Janeiro e em outras capitais com grande crescimento. Dois anos depois, a
equipe que cuidava desse setor da Vision criou uma nova gestora 100%
dedicada ao setor imobiliário.

O crescimento de empresas endividadas no mercado teve como consequência o
aumento da demanda por consultorias especializadas em recuperação judicial,
o que, para o mercado financeiro, significa oportunidade para fundos de
“turnaround”, cujos investimentos buscam o restabelecimento da saúde
financeira de empresas com bom potencial, mas afetadas por restrições de
curto prazo em função de crises (internas ou externas). Para a Vision Brazil
Investments, esse modelo de investimento é uma alternativa para capitalizar
empresas em setores muito afetados pela crise econômica e funciona como uma
solução para escapar da recuperação judicial.

Além de atrair os investidores nacionais, a favorabilidade do setor também
tem atraído investidores internacionais, especialmente porque as aplicações
feitas por eles em cotas de fundos de investimentos imobiliários negociadas
em bolsas de valores possuem benefícios fiscais.

O mercado imobiliário compreende toda a parte de compra, venda e locação de
imóveis, que têm lastro em bens concretos e físicos. Em qualquer atividade
financeira e investimento no mercado há algum tipo de risco inerente, mas os
riscos no mercado imobiliário são menores uma vez que têm base em ativos
reais, o que significa dizer que reagem aos abalos do mercado de forma mais
vagarosa do que as ações em Bolsa de Valores.

Justamente por isso, porque o risco é menor, a rentabilidade desses ativos
também costuma ser menor. Para um investidor prudente e com expectativas de
resultados a médio prazo, o interessante é diversificar seus investimentos e
apostar em imóveis na sua carteira de ativos para proteger o bolso.

O início de recuperação econômica em 2017 refletiu no mercado imobiliário
brasileiro, que fechou o ano passado com resultados positivos e continuou a
propagar nos resultados dos primeiros meses em 2018. As vendas de imóveis
residenciais novos cresceram 22,3% no primeiro trimestre do ano, mas ainda
não foram suficientes para estimular as construtoras a lançarem novos
empreendimentos.

O estudo “Indicadores Imobiliários Nacionais”, realizado pela Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com o Senai
Nacional, mostrou que está ocorrendo um atendimento da demanda reprimida dos
últimos anos. Isso sem que a confiança do empresariado na economia tenha se
consolidado. O aumento nas vendas e a redução dos lançamentos são sinais da
falta de crédito para as empresas. Mesmo diante de todo esse cenário de
poucas certezas, a expectativa é a de que o mercado imobiliário cresça 10%
este ano.

É fato que o crescimento dos financiamentos imobiliários com recursos da
caderneta de poupança ajudou no crescimento do mercado. A Caixa Econômica
Federal responde por aproximadamente 70% do financiamento imobiliário e
ainda não solucionou seus problemas de enquadramento de capital. A caderneta
de poupança ainda não se recuperou o suficiente para atender à demanda
reprimida no mercado.

Enfim, para que o mercado volte a ter um crescimento saudável e perene, será
necessário mexer em várias esferas do país e reduzir os juros ao consumidor
final, cujo ideal deveria caminhar para algo em torno de 8,5% a 9,5% ao ano,
que é a taxa que cabe no bolso do consumidor brasileiro.

O mercado foi desaquecendo lentamente, a demanda foi perdendo ritmo, mas não
diminuiu a euforia do crescimento econômico brasileiro, que pareceria sólido
e sustentável. As boas avaliações sobre o risco de investimento no mercado
nacional incentivaram a entrada de capital estrangeiro e permitiram a
alavancagem do mercado de construção. (Exame/Corporativo)

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