Pandemia é incentivo por busca de imóveis no interior

As grandes cidades possuem as maiores quantidades de casos de coronavírus. E, por conta disso, a busca por imóveis rurais ou afastadas dos grandes centros urbanos aumentou. Segundo uma pesquisa realizada pelo portal Imovelweb, a busca por imóveis rurais subiu 52% entre fevereiro e março deste ano, e quando comparado aos meses de março de 2020 e março de 2019, a busca aumentou 124%, dados que revelam a pandemia como fator acelerador da procura.

Douglas Vargas

De acordo com o Vice-Presidente da Habicamp, Douglas Vargas, o mercado imobiliário apenas reflete o momento econômico. “Nós não tivemos uma crise no mercado imobiliário, nós temos uma demanda muito reprimida ainda. Ou seja, tem muitos que estão deixando de comprar por causa do isolamento social, mas tem capacidade de comprar e desejo de comprar. Então, esse ano estava previsto um grande momento para o mercado imobiliário no Brasil e a gente espera que ele não tenha aumentado nem diminuído essa demanda e desejo, ele está reprimido. Claro que alguns fatores não são propícios, como o desemprego”, explica.

Segundo ele, até os aspectos negativos, como o desemprego, gera uma movimentação dentro do mercado. “Uma pessoa que perdeu o emprego e está morando em um apartamento de quatro dormitórios, vai migrar para um de três dormitórios. Então, tem uma movimentação. Porém, a pessoa que, por exemplo, mora em Campinas e trabalha em São Paulo. O home office faz ela repensar na necessidade de mudar para a capital, além de buscar um imóvel com menos quartos, mas com uma estrutura que assegure maior qualidade de vida, como uma varanda gourmet, um apartamento com uma metragem maior, uma casa em um condomínio, mesmo que seja mais afastado do centro, porque a gente não sabe se outras pandemias podem acontecer”, completa. A tendência é buscar um imóvel que seja afastado dos grandes centros urbanos e que proporcione maior comodidade à família.

De acordo com a pesquisa realizada pelo Imovelweb, as cidades com maior procura no interior são:

– Bragança Paulista (+ 146% nas buscas),
– São José dos Campos (+99% nas buscas),
– Campinas (+23% nas buscas).

O mercado

Para Douglas, a queda da taxa Selic na semana passada representa um bom momento para o mercado imobiliário. “Vale lembrar que o brasileiro tem uma grande vantagem em relação ao mundo. A nossa estimativa da queda do PIB é em torno de 6,5%, já no mundo estão falando em 9%. O brasileiro passou por tanta crise e, por isso, tem um poder de se remodelar, de vencer os obstáculos, de se reinventar. Eu acho que isso é a grande virtude do brasileiro, superando o plano Collor, que de certa forma, não tivemos isolamento, mas tivemos um isolamento econômico. Então isso é um grande exemplo”, completa.

Segundo ele, os valores de venda ainda não tiveram queda. “Isso pode estar acontecendo pela demanda por necessidade e, a partir da retomada, donos de empresas vão precisar de capital para manter as portas abertas e, assim, passarão a vender imóveis com uma certa desvalorização para não ter que fazer uma capitação de dinheiro em banco”, explica.

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