Banco Central projeta juros diferenciados no crédito imobiliário conforme renda e valor do imóvel
Novo modelo busca ampliar acesso, reduzir desigualdades e tornar financiamento mais sustentável no país
Foto: divulgação – O Banco Central (BC) avalia que o novo modelo de financiamento imobiliário deve promover uma diferenciação mais clara nas taxas de juros entre famílias de diferentes faixas de renda. A expectativa é que grupos de menor renda passem a ter acesso a condições mais favoráveis, movimento que já começou a ser observado nos últimos meses, ainda que de forma inicial.
De acordo com a autoridade monetária, essa mudança rompe com um padrão histórico do mercado brasileiro, no qual os juros costumam ser semelhantes independentemente da renda do tomador. Até então, famílias com rendimentos mais baixos enfrentavam custos próximos aos de compradores com maior capacidade financeira, o que limitava o acesso à casa própria.
O novo formato também prevê distinções com base no valor do imóvel financiado. Imóveis de menor valor devem contar com incentivos mais robustos, enquanto propriedades em faixas superiores terão benefícios progressivamente menores. A proposta é ajustar o crédito ao perfil do financiamento, tornando o sistema mais equilibrado e direcionado.
Outro objetivo do modelo é garantir maior estabilidade na oferta de crédito imobiliário ao longo do tempo. A expectativa do BC é que as taxas se mantenham em níveis semelhantes ou até inferiores aos atuais, evitando oscilações bruscas como as registradas em períodos recentes.

A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para expandir o crédito imobiliário no Brasil, que hoje representa cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta é aproximar esse índice de patamares entre 20% e 30%, semelhantes aos de países com nível de renda intermediária, ampliando o acesso da população ao financiamento habitacional.
De acordo com o presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho, a proposta representa um avanço importante para o setor: “A diferenciação nas taxas de juros pode tornar o crédito mais acessível e justo, ampliando oportunidades para diferentes perfis de famílias e fortalecendo o mercado imobiliário de forma mais equilibrada.”
