CNI mantém projeção de crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026
Construção civil tem previsão revisada para 1,5%
Foto: Freepik – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. Segundo o Informe Conjuntural do segundo trimestre, o desempenho da economia deverá ser sustentado principalmente pelo setor de serviços e por perspectivas mais favoráveis para a agropecuária e a indústria extrativa. Em contrapartida, juros elevados, custos crescentes e maior entrada de produtos importados devem limitar o ritmo de expansão.
A projeção para a indústria foi revisada de 1,6% para 2,1%, impulsionada principalmente pelo avanço da atividade extrativa, cuja previsão de crescimento passou para 9,1%. Já a indústria de transformação teve sua estimativa elevada de 0,3% para 0,6%, embora permaneça pressionada pelo encarecimento dos insumos, pelos juros altos e pela concorrência de produtos estrangeiros.
A construção civil também teve sua perspectiva de crescimento revisada para cima, de 1,3% para 1,5% em 2026. De acordo com a CNI, o setor deve se beneficiar de medidas como a ampliação do financiamento habitacional, mudanças nas regras do crédito imobiliário, o programa Reforma Casa Brasil e a continuidade dos investimentos em infraestrutura, mesmo diante das restrições provocadas pelo cenário monetário.
A agropecuária foi outro destaque positivo, com a projeção de crescimento elevada de 1,1% para 1,8%, favorecida pela expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, e pelo aumento da produção animal. O setor de serviços, por outro lado, teve sua estimativa reduzida de 2,1% para 1,9%, diante do endividamento das famílias, da inadimplência e da manutenção de condições financeiras restritivas.

A CNI também revisou para cima a previsão de inflação, de 4,4% para 5% em 2026, refletindo principalmente a pressão dos alimentos, combustíveis e serviços. Com a piora das contas públicas e a perspectiva de inflação mais persistente, a entidade prevê uma redução mais lenta da Selic, que poderia encerrar o ano em 13,75%, cenário que mantém o crédito e os investimentos sob pressão.
De acordo com o presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho, a revisão positiva da construção demonstra a capacidade de reação do setor, mas os obstáculos permanecem relevantes. “A construção civil tem potencial para contribuir de forma decisiva para o crescimento da economia, principalmente com o avanço do crédito habitacional e dos investimentos em infraestrutura. No entanto, juros elevados, custos de produção e inflação ainda exigem planejamento e políticas que preservem a capacidade de investimento do setor”, afirma.
