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Inflação da construção civil ganha força e pressiona custos do mercado imobiliário

Alta dos materiais, impulsionada pelo cenário internacional, pode elevar preços dos imóveis e dificultar o acesso à casa própria

Foto: Freepik – A inflação da construção civil ganhou força em 2026 e passou a representar um novo desafio para o mercado imobiliário, que já enfrenta os efeitos dos juros elevados. O aumento dos preços de matérias-primas utilizadas na construção, influenciado pelo conflito no Oriente Médio, pode pressionar os custos das obras, afetar os orçamentos das empresas e resultar em reajustes nos valores dos imóveis.

O impacto também pode atingir diretamente os consumidores que optam pela compra de imóveis na planta. Como os contratos costumam ter parcelas corrigidas por índices de custos da construção, uma aceleração da inflação do setor pode elevar os valores pagos ao longo da obra e aumentar o custo total do imóvel, dificultando o planejamento financeiro das famílias.

Antes da intensificação do conflito, a expectativa era de que a inflação da construção em 2026 permanecesse próxima do resultado registrado no ano anterior. Em 2025, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumulou alta de 5,9%. Agora, as projeções indicam uma variação superior, chegando a 8,3% segundo estimativa da consultoria 4intelligence.

A pressão está concentrada principalmente nos materiais e serviços, que representam 58% do INCC. Em abril e maio, os preços desse grupo avançaram 1,35% e 1,15%, respectivamente, bem acima das médias históricas para esses meses. A elevação dos custos de insumos como matérias-primas e equipamentos tem sido apontada como o principal fator de incerteza para a trajetória da inflação da construção.

O presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho.

Mesmo que o conflito internacional seja encerrado, especialistas avaliam que os aumentos registrados ao longo de 2026 dificilmente serão totalmente revertidos. A expectativa é que os custos continuem avançando acima da inflação geral da economia, mantendo a pressão sobre construtoras, incorporadoras e consumidores.

Segundo o presidente da Habicamp, Francisco de Oliveira Lima Filho, o cenário exige atenção e planejamento. “A elevação dos custos dos materiais impacta toda a cadeia da construção e pode comprometer a previsibilidade dos empreendimentos. É fundamental buscar eficiência, planejamento e condições que preservem o acesso da população à moradia”, afirma.

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